SINAFERR______________________________
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

NOTÍCIAS DO SETOR

Por quê cresce o mercado de ferramentas especiais?

Por Antonio Borges Netto

Se há um segmento de mercado em que os fabricantes de ferramentas de corte apostam que irá haver forte crescimento esse é o de ferramentas especiais. Ao menos é o que a movimentação das empresas parece indicar. Nos últimos anos, esse segmento ganhou três novos players de peso: a Iscar montou fábrica em Valinhos (SP), a LMT Bohlerit instalou uma planta em São Sebastião do Caí (RS) e a Seco Tools adquiriu a Genos, de Sorocaba (SP). Agora, em 2005, mais um concorrente internacional finca sua bandeira nesse mercado: a Mitsubishi Carbide já realizou cotações de equipamentos e está à procura de um local para a sua unidade de especiais no País.

"Não é mais um plano. Estamos trabalhando com todas as possibilidades para implantar uma unidade de especiais no Brasil", diz Valdir Reis, gerente da MMC Metal, subsidiária brasileira da Mitusbishi Carbide. "Temos grande interesse no mercado de especiais, no qual nota-se forte tendência de crescimento", completa. Segundo o gerente, a intenção da Mitsubishi é a de atender o mercado nacional e ainda exportar para os países da América Latina.

Ao mesmo tempo, fabricantes mais tradicionais nesse mercado, como a Sandvik Coromant e a Walter do Brasil, estão em processo de expansão. A Sandvik investiu em 2004 cerca de US$ 1,2 milhão na linha de especiais. Parte dos recursos foi destinada a novas máquinas e equipamentos e outra a obras de ampliação da área fabril dentro da planta de Santo Amaro, na capital paulista. Já a Walter dobrou a área reservada à fábrica, em Sorocaba (SP), adquiriu um terceiro centro de usinagem de cinco eixos e, ao longo do ano passado, aumentou a capacidade de produção em 140%. Aliás, uma informação que ilustra o quadro de aquecimento desse mercado é que a Walter chegou a operar em três turnos antes da chegada da nova máquina.

PRODUTIVIDADE - Para os fabricantes o aumento da demanda nesse segmento se deve a um conjunto de fatores que convergem para a questão da produtividade. Com o acirramento da disputa no mercado mundial no segmento automotivo, montadoras e autopeças - os principais consumidores de ferramentas de corte do mercado - passaram a recorrer também às ferramentas especiais para obter ganhos de produtividade. "A concorrência é feroz e os nossos clientes estão numa busca frenética por redução de custos. A concentração de várias operações numa só ferramenta - que é o conceito básico da ferramenta especial - proporciona ganhos significativos de produtividade", informa Edison Loureiro, gerente de Marketing da Walter do Brasil.

O principal benefício que uma ferramenta especial oferece ao usuário não está na ferramenta em si, mas na economia que proporciona em termos de set-up de máquina e de troca de ferramentas. Desta forma, o emprego de uma ferramenta especial otimiza o uso máquina com significativa redução dos tempos mortos. Em geral, a ferramenta especial reduz o tempo de produção de uma peça em torno de 30%, mas pode chegar a mais de 50%. "O cliente passa a usar a máquina para o que ela foi produzida: arrancar cavaco", afirma Wilson José Pedroni, gerente de Engenharia de Ferramentas Especiais da Sandvik Coromant.

Para Pedroni, as empresas passaram a perceber que a conjugação de ferramentas era uma alternativa rápida e menos custosa do que investir em novos equipamentos para se atingir a competitividade necessária nos dias atuais. "No Brasil, pudemos notar isso claramente entre os clientes que têm forte atuação no mercado externo", diz, acrescentando que após atingir os resultados mais urgentes, esses clientes adquiriram máquinas novas, mas mantiveram a estratégia de emprego das ferramentas especiais. "O raciocínio é mais ou menos o seguinte: se a ferramenta especial me proporcionou um grande ganho com máquinas antigas, imagine o que não será possível obter com maquinário novo", argumenta.

Para Antonio Fernando Pereira, gerente Nacional de Vendas da Seco Tools, a expansão nos mercados interno e externo dos últimos anos colocou os clientes diante da seguinte questão: ou investiam em novas máquinas ou otimizavam o uso das existentes. Uma parte significativa ficou com a segunda opção, impulsionando a procura por especiais. Para atender essa demanda, a Seco Tools está concluindo o processo de aquisição da Genos, empresa nacional com a qual já mantinha parceria. A empresa já tem pronto programa de investimentos para o período 2005/2006. Pereira não informa os valores, por questão de estratégia, mas garante que serão significativos.

O objetivo é ampliar a capacidade produtiva, com novas máquinas e instrumentos de controle de qualidade, tanto para as linhas de aço quanto metal duro, e, como resultado, ampliar o market share. "Nossa empresa sempre colocou a linha standard em primeiro lugar, mas com as exigências atuais de produtividade isso, às vezes, só é possível de se obter com ferramentas especiais e nós passamos a investir também nessa área", explica.

Em geral, é o cliente que procura o fornecedor em busca de uma ferramenta especial. Porém, a presença cada vez mais constante dos técnicos das indústrias de ferramentas dentro das plantas dos usuários, tem levado esses profissionais a apontar gargalos que poderiam ser solucionados com a conjugação de ferramentas.

TENDÊNCIA - Na LMT Böhlerit, o aquecimento dos negócios com ferramentas especiais no último mês de março é avaliado como um sinal de que a tendência de crescimento irá se manter. O gerente de Vendas, Mário Takashi Eri, informa que a unidade de produção que a LMT mantém no Rio Grande do Sul, na planta da Leitz, está em alta devido aos novos projetos de montadoras e autopeças e também ao aumento da venda de máquinas. "Inclusive, estamos em processo de contratação de novos projetistas", diz.

O engenheiro de Aplicação da LMT, Paulo Edson Jorge, acrescenta entre as vantagens da ferramenta especial a rápida amortização. Por requisitar um trabalho de desenvolvimento e engenharia, a ferramenta especial costuma ter um preço bem superior ao de uma standard, "mas a amortização desse investimento é quase que imediata".

"Pode-se dizer que o aumento da procura por especiais é uma tendência mundial. Viajando pela filiais do grupo na Alemanha, na Itália, na Argentina, percebe-se que as fabricas de especiais estão com a produção tomada", observa Jorge Jerônimo, diretor Técnico da Iscar do Brasil. O diretor acrescenta ainda que a filial italiana acaba de passar por uma expansão e a argentina recebeu novas máquinas para atender a crescente demanda.

Um dado que comprova o crescimento da procura por especiais em todo o mundo é que o Centro de Pesquisas da matriz da Iscar tem investido na transformação de algumas ferramentas especiais em standard. Isto foi evidenciado em recente visita de clientes brasileiros às instalações da empresa em Israel.

Em 2004, a Iscar inaugurou em Valinhos (SP) fábrica própria para a produção de especiais. Antes, já atuava nesse segmento em parceria com uma empresa nacional. Foram investidos US$ 2 milhões num primeiro momento, entre máquinas e instalações. Agora, a unidade já se prepara para receber novos recursos. Estão previstas a nacionalização de brocas-canhão especiais e da linha de brocas ChamDrill, uma das principais famílias de produtos da empresa. Sem informar o montante que será investido, Jerônimo frisa que o objetivo básico dos novos investimentos é o de aumentar a capacidade produtiva para oferecer melhores prazos de entrega. "Notamos um crescimento da demanda para prazos muito curtos".

Se a busca da produtividade e a redução dos tempos de usinagem é o que leva os clientes a recorrer às especiais, ter uma unidade de produção no Brasil passou a ser uma necessidade. "Ter uma unidade de produção local de ferramentas especiais é essencial para os fabricantes de ferramentas", observa Loureiro, da Walter. "Isso porque, no caso das especiais, é necessário um contato estreito entre engenharia e cliente e não se pode depender da matriz", acrescenta, lembrando o burocrático e muitas vezes lento processo de importação no Brasil.

Pedroni, da Sandvik, concorda. Segundo ele, em todos os cases de sucesso com ferramentas especiais, onde se registrou ganhos realmente expressivos, houve realmente um trabalho de parceria entre fabricante e cliente. "Os melhores resultados são obtidos quando a ferramenta é desenvolvida em conjunto com o cliente", afirma.

Outro fator que tem contribuído para o aumento das especiais são os fabricantes de máquinas. Hoje, cresce o número de clientes – especialmente os do setor automotivo – que buscam não mais essa ou aquela máquina mas uma solução. Ou seja, em vez de encomendar duas máquinas para passar a fabricar determinado produto, fazem cotações na busca da solução que possibilite adquirir apenas uma máquina, por exemplo. Esse dado, aliás, tem promovido uma aproximação cada vez mais entre fabricantes de máquinas e de ferramentas. Quase todos os fabricantes já contam com departamento especializado no atendimento da indústria de máquinas. "É quase um processo de engenharia simultânea. O fabricante da máquina passa a demanda para nós, com as suas necessidades em termos de tempo e estratégia de usinagem, e nós desenvolvemos as ferramentas", explica Jerônimo, da Iscar.

Outro detalhe é que no passado apenas os grandes usuários demandavam ferramentas especiais. Com a terceirização ocorrida no setor automotivo, médios fabricantes de autopeças também foram incorporados à base de clientes dos fabricantes locais.

De acordo com Pereira, a Seco Tools espera um crescimento na linha de especiais em torno de 25%. "O mercado brasileiro em 2005 ainda está de carona no crescimento no ano passado", diz. Na Walter, a expectativa também é de expansão dos negócios: se prevê aumento de 30% na linha de especiais, contra expansão em torno de 20% na linha standard. Na LMT Böhlerit e na Sandvik espera-se incremento superior a 15%.

Os dois tipos de especiais

Alguns fabricantes de ferramentas de corte fazem uma distinção no caso de ferramentas especiais. Assim, existiriam dois tipos e o termo "especial" só deveria ser empregado para aquelas ferramentas que exigissem projeto de engenharia, que resultasse numa ferramenta totalmente nova, combinando duas, três ou mais operações. No outro caso, estão as ferramentas em tudo semelhantes às da linha standard, mas com uma pequena alteração no diâmetro ou tamanho. Para esses casos, a Walter, por exemplo, conta com o serviço Novex Express, e a Sandvik Coromant com o programa Tailor Made. (Antonio Borges Netto é editor do site usinagem-brasil)


Boletim Usinagem-Brasil